6.8.20

O Efeito Lúcifer: Por que é que boas pessoas, por vezes, fazem coisas muito más?

O psicólogo americano Philip Zimbardo realizou no ano 1971 um experimento curioso. Selecionou de mais de 200 candidatos apenas 12 jovens com um perfil psicológico saudável e com desempenho social acima de qualquer suspeita.

Seis dos jovens seriam os carcereiros e os outros seis seriam os prisioneiros e deveriam tratar-se como tal. O experimento que deveria ser realizado em duas semanas teve que ser interrompido em seis dias. O motivo foi simples: os jovens carcereiros já estavam submetendo os jovens prisioneiros a pequenos atos de submissão, humilhação e tortura. 

Graças a essa análise Zimbardo desenvolveu uma teoria que ele chamou de EFEITO LÚCIFER. Baseou seu raciocínio no mito do anjo preferido de Deus que sucumbiu ao orgulho, tentou tomar o posto do altíssimo e por isso foi expulso do céu e condenado ao inferno.

O psicólogo – professor da Universidade de Stanford – notou que pessoas ditas “normais” podem realizar ações maldosas, sob certas circunstâncias, como qualquer pessoa considerada criminosa.

Ele afirma que as pessoas fazem o mal justificadas por uma razão distorcida que favorece os próprios motivos em desfavor dos outros. Realizamos o mal em busca de exercer poder sobre os outros, afirma Zimbardo. 

Ele diz que a pessoa comum vai trilhando sete passos em direção ao mal, que são eles:

1 – Negligenciando a capacidade de fazer o mal, o primeiro pequeno passo
Ex: “afinal, que mal tem?”

2 – Desumanização dos outros
Ex: “ele bem que merecia!”

3 – Autopreservação no anonimato
Ex: “todo mundo faz, qual o problema?”

4 – Difusão de responsabilidade pessoal por meio de um grupo ou justificativa racional 
Ex: “várias pessoas já me disseram que não tem problema, realmente não tem problema!” 

5 – Obediência cega à autoridade 
Ex: “todo mundo fez, eu fiz também!” 

6 – Falta de crítica a conformidade com normas de grupo 
Ex: “realmente não acho que tem problema!” 

7 – Tolerância passiva do mal através da inação ou indiferença 
Ex: “eu não estou nem aí para esse tipo de gente!” 

Segundo ele, essa é a escalada da pessoa em direção ao mal. Essa teoria vai completamente ao encontro da ideia da sombra. A sombra é sempre um aspecto rejeitado e julgado de nossa personalidade como algo mal, desprezível e condenável. Você agrediria uma pessoa querida? A resposta imediata seria não. Mas diante de uma justificativa como abandono, traição e menosprezo você poderia se resguardar moralmente por meio de motivos pessoais a tal agressão “fiz isso porque fulano mereceu!” Aí está aberta a primeira concessão para o chamado mal. Ninguém escapa do Efeito Lúcifer. Pode ser a melhor pessoa do mundo, ninguém escapa...O que você pensa que poderia fazer de mal em nome de um bom motivo?* 

Fonte: ZIMBARDO, Philip G. O Efeito Lúcifer, Rio de Janeiro, Ed. Record, 2012, 756p.

Philip G. Zimbardo é Professor Emérito de Psicologia na Universida de Stanford na Califórnia (USA), por duas vezes foi presidente da Associação de Psicologia Americana (APA)."

Site para consultas: http://www.lucifereffect.com/

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