20.8.19

Estudo sobre o papel do stress no aparecimento da síndrome do pânico

Uma contribuição para o estudo do papel do estresse no aparecimento da síndrome do pânico

Por: Marina Pereira Boccalandro [1] 

Introdução:

A síndrome do pânico é, hoje, um dos motivos freqüentes de procura de ajuda psiquiátrica e psicoterapêutica.Entendemos por síndrome um "estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa"... No sentido figurado podemos entender síndrome como um "conjunto de características de sinais associados a uma condição crítica, susceptíveis de despertar reações de temor e insegurança"... A origem da palavra é do grego syndromé, que significa concurso. (Ferreira, 1986, pág. 1590)

A frequência com que têm aparecido pessoas portadoras dessa síndrome, tanto no nosso consultório particular, como na triagem da Clínica Psicológica "Ana Maria Poppovic" da PUC/SP, onde também trabalhamos, nos induziram a pesquisar mais profundamente as causas, o desenvolvimento e a terapia da mesma.

Na literatura dos Estados Unidos da América, aparece uma incidência de 16 americanos em cada mil que têm episódios dessa crise alguma vez em suas vidas. Esses dados são fornecidos pelo Departamento de Saúde e Serviço Social dos Estados Unidos da América (1992).

"Nos Estados Unidos, 20% das consultas de saúde mental referem-se a ataques de pânico" (Gentil, 1996, pág. 16).

No Brasil, não temos dados estatísticos tão abrangentes. Gentil (1996) estima que até 4% da população geral brasileira pode sofrer de Pânico/Agorafobia (PAG), (pág. 101).

Vamos agora voltar no tempo e procurar verificar de onde vem o termo pânico. Segundo Caetano (1987), esse termo deriva do nome do deus grego Pã, que era filho do deus Hermes e de Penélope. Segundo alguns mitólogos, ele era porém filho de Orneis (uma ninfa) e ainda, segundo outros, de Amalthéia (uma cabra). Todos concordam na descrição do deus Pã, como sendo uma mistura de forma humana e de bode e terrivelmente feio, que despertava reação de susto (medo), que era designada como pânico. Algumas pessoas tinham medo (phobos), de freqüentar o lugar público (ágora), daí derivando o termo agorafobia, para designar uma das reações que acompanha o pânico (Caetano, 1987, pág. 15).

Várias hipóteses têm sido levantadas para explicar o aparecimento desse distúrbio, desde causas psicológicas até fisiológicas.

Dentro da área médica, a "conduta mais tradicional é atribuir as intensas manifestações dos ataques de pânico a uma causa física, por exemplo disfunção cardiológica, endócrina ou neurológica" ... "é conhecida a associação da PAG com a síndrome do prolapso mitral" ... "tem sido associada com a asma brônquica" ... "com alterações eletroencefalográficas" e muitas outras associações tem sido feitas ao longo dos anos. (Gentil e Lotufo, 1996, pág. 101).

Botelho, em seu livro "A Síndrome do Pânico e Hipoglicemia", coloca a hipoglicemia como sendo uma das causas do aparecimento dessa síndrome. (Botelho, 1996, pág. 15).

Já Freud, diagnosticou uma jovem como sendo portadora de histeria, pelo relato que ela lhe fez de seus sintomas, sintomas esses que, hoje, correspondem ao que se convencionou chamar de síndrome do pânico. (in Caetano, 1987, pág. 18).

Como vemos, a discussão sobre a origem da desordem é muito extensa e pouco conclusiva.

Ross, no seu livro "Vencendo o Medo" diz: "para ser justa, boa parte do conhecimento sobre esses distúrbios só surgiu nas duas últimas décadas e ainda falta muito por descobrir sobre a predisposição genética e os fatores emocionais e ambientais que precipitam os distúrbios. O estigma que recai sobre todas as doenças mentais em nossa sociedade ainda está por ser desfeito. De fato, muitas vítimas de agorafobia citam o "medo de ficar louco" como um dos sintomas de um ataque do pânico." (Ross, 1995, pág. 15).

Os ataques de pânico são mais freqüentes no sexo feminino e podem ocorrer em qualquer idade, mas sua maior incidência é entre a puberdade e os 35 anos. (Gentil, 1996, pág. 98).

O que se tem observado atualmente é que cada vez mais essa faixa está se ampliando com a diminuição da idade, aparecendo em crianças e pré-adolescentes e também em pessoas mais velhas.

Síndrome do Pânico, apesar de ser um quadro muito antiga e termos descrição e registros desde a Grécia antiga, só foi descrita como tal, pela primeira vez, nos Estados Unidos, em 1980. Os sintomas que caracterizam esse quadro são inúmeros, entre eles podemos citar:

  • sensação inesperada de falta de ar, 
  • respiração difícil, 
  • rápida e que não satisfaz;
  • tonturas;
  • alteração da percepção visual;
  • sensação de estar correndo risco de vida;
  • extremidades ficam geladas e frias;
  • aceleração dos batimentos cardíacos;
  • medo e ansiedade crescentes;
  • certeza de que algo estranho está acontecendo;
  • formigamento nas extremidades e couro cabeludo;
  • adormecimento dos lábios e boca seca;
  • ondas de calor ou de frio;
  • sudorese;
  • tremor nas extremidades;
  • sensação de tremor interno e trepidação;
  • náuseas e, às vezes, até vômitos;
  • medo da morte e outros.
Nem todos esses sintomas precisam estar presentes, mas o mais comum é quase todos aparecerem na crise, que demora, segundo Gentil (1996), de 20 a 40 minutos para desaparecer. Quando desaparece, a pessoa sente cansaço, fraqueza, pernas bambas, como se tivesse feito um grande esforço. Depois de descansar ou dormir, a pessoa volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Quanto aos tratamentos, também encontramos muita celeuma. O que hoje parece ser mais utilizado é uma combinação de ajuda medicamentosa e trabalho psicoterapêutico. Esse último com uma infinidade de abordagem, desde as ligadas à psicologia profunda, como, por exemplo, a psicanálise e a análise Junguiana até psicoterapia cognitiva e os trabalhos corporais como o relaxamento, a imaginação dirigida e a visualização por exemplo (hoje tão usados dentro dos tratamentos para doenças psicossomáticas).

Na nossa revisão bibliográfica, em revistas como: The American Journal of Psychiatry; Biological Psychiatry - A Journal of Psychiatry Research; Acta Psychiatrica Scandinavica; Comprehensive Psychiatry Journal of Psychopharmacology; Journal of Affective Disorder; Psychosomatics; Jornal Brasileiro de Psiquiatria e outros livros que estão relacionados na nossa bibliografia, encontramos uma quantidade enorme de pesquisas (70) feitas nos dois últimos anos, no Brasil, Estados Unidos, Canadá e outros países. A maioria delas, feitas por médicos, pesquisando a ligação da Síndrome com problemas cardíacos, hipoglicêmicos, alterações neurológicas e outras doenças físicas e mentais.

Essas relações não estão bem estabelecidas e existe muita controvérsia a respeito. Nessa revisão, não encontramos nenhuma que ligasse o aparecimento da síndrome com o estresse.  Isso nos chamou a atenção, pois temos ouvido falar, com freqüência, do aumento de casos, principalmente nas grandes cidades.

Esse, talvez, tenha sido o motivo de termos estabelecido com maior precisão o eixo da nossa pesquisa: verificar se a situação de estresse vivida por um indivíduo poderia ou não estar associada ao aparecimento da 1a. crise sofrida pelo portador da síndrome.

Na nossa pesquisa, não vamos levar em conta os fatores genéticos, endócrinos ou doenças físicas e mentais que possam estar associadas à síndrome, apenas se o aparecimento da primeira crise pode ou não estar associada a uma situação estressante, que o indivíduo estivesse vivendo naquele período ou num período anterior à primeira crise. Não porque esses fatores não possam ser importantes, mas porque tínhamos que escolher uma fatia dessa importante síndrome para podermos pesquisar no tempo que dispúnhamos para desenvolver esse trabalho, que era de menos de um ano.

Como poderíamos conceituar o estresse? Desde o início da civilização, usava-se dividir o estado de saúde do indivíduo em saúde e doença. Não se pensava num estado intermediário entre esses dois . Só quando se descobriu as causas das infecções (no final do século passado), é que se percebeu que havia um período em que o indivíduo tinha estado em contato com alguém contaminado, e, posteriormente, apareciam os primeiros sinais da doença. Esse período foi chamado de incubação. Mas nessa época não pensaram ou levaram adiante perguntas como: por que algumas pessoas, apesar de estarem em contato com os doentes, não são atingidos por eles?

Quem teve a brilhante ideia de postular que deveria haver um estado intermediário entre saúde completa e doença manifesta foi Selye, um fisiologista canadense, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Embora ele tenha usado uma abordagem redutivista e organicista, ele deu margem a reflexões mais profundas. Chamou ao estado intermediário entre saúde e doença, de estresse, fazendo uma comparação inexata com a força de estresse da física.

Também não podemos confundir estresse com incubação. Estresse, para Selye, foi definido como um estado entre saúde e doença, no qual o corpo lutava contra o agente causador da doença. Nessa luta, se o corpo vencesse, a saúde era restabelecida, se o corpo perdesse, o sujeito ficaria doente, até que o corpo doente descobrisse outras armas com as quais iria lutar.

Inicialmente, Selye chamou essa batalha "muda" (porque não mostra sinais) contra os agentes estressores de "Síndrome de Adaptação". Isso porque o corpo está tentando se adaptar ao agente agressor. Os agentes agressores são todos aqueles que atacam o indivíduo, física ou mentalmente: um vírus, um tóxico, um acidente, mudanças no ambiente, frustração, medo, poluição sonora, violência urbana, entre tantos outros.

Os agentes estressores físicos são mais fáceis de serem detectados e eliminados, já os mentais são mais difíceis. Os agentes mentais podem ser coletivos, como o medo, a culpa, ansiedade, frustração; e individuais, que precisam ser detectados dentro da vida do sujeito no qual aparecem, como por exemplo: problemas de relacionamentos familiares, profissionais e solidão.

É importante não se confundir o estresse com o agente estressor. O agente estressor é o que causa o estado de estresse, que mostra que o corpo está lutando contra o agressor e tentando se "adaptar" à nova situação. Segundo Santos (1994), existe muita controvérsia sobre como agentes estressores causam o estresse. Várias explicações têm sido dadas, mas há ainda muita discussão sobre esse tema. De uma maneira geral, o indivíduo percebe um agressor (real ou imaginário) e o encara como perigoso (estressor). O corpo se prepara para reagir (lutar ou fugir) por meio de uma série de reações como por exemplo: aumento da insulina, adrenalina e cortisol no sangue; as pupilas se dilatam, aparece palidez no rosto, os cabelos podem ficar arrepiados, mãos e pés ficam suados, o coração bate mais acelerado.

Esse conjunto de reações inespecíficas é o que Selye chamou de Síndrome Geral de Adaptação, que consiste em três fases: "Reação de Alarme, Fase de Resistência e Fase de Exaustão"; não é necessário que as fases se desenvolvam até o final para que haja o estresse, e é evidentemente que só nas situações mais graves que se atinge a última fase, a de exaustão.

A Reação de Alarme caracteriza-se por: aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial, para permitir que o sangue circule mais rapidamente e portanto, cheguem aos tecidos mais oxigênio e nutrientes; contração do baço, levando mais glóbulos vermelhos à corrente sanguínea, acarretando o aumento de oxigênio para o organismo; o fígado libera açúcar armazenado na corrente sanguínea para que seja utilizado como alimento e, conseqüentemente, mais energia para os músculos e cérebro; redistribuição sanguínea, diminuindo o fluxo para a pele e vísceras, aumentado para músculos e cérebro;
aumento da freqüência respiratória e dilatação dos brônquios, para que o organismo possa captar e receber mais oxigênio; dilatação pupilar com exoftalmia, para aumentar a eficiência visual; aumento do número de linfócitos na corrente sanguínea, para reparar possíveis danos aos tecidos.

Se os agentes estressores desaparecem, tais reações tendem a regredir; no entanto, se o organismo é obrigado a manter seu esforço de adaptação, entra-se em uma nova fase, é chamada Fase de Resistência, que se carateriza basicamente pela reação de hiperatividade córtico-supra-renal, sob mediação diencéfalo-hipofisária com aumento do córtex da supra renal, atrofia do baço e de estruturas linfáticas, leucocitose, diminuição de eusinófilos e ulcerações.

Se os estímulos estressores continuarem a agir ou se tornarem crônicos e repetitivos, a resposta basicamente se mantém, mas com duas características: diminuição da amplitude e antecipação das respostas. Poderá haver falha nos mecanismos de defesa, com desencadeamento da terceira fase, que é a da Exaustão, com retorno à Fase de Alarme, dificuldade na manutenção de mecanismos adaptativos, perda de reservas e morte (Mello Filho, 1992, p. 99).

Existem, ainda, dois conceitos importantes para compreender o estresse. O primeiro é a homeostase, que consiste na manutenção do equilíbrio do sistema orgânico, mediante processos adaptativos, em relação ao ambiente, que mantém o ser vivo num estado de equilíbrio dinâmico. O outro conceito é de entropia, que é a quantidade de desorganização que existe em um sistema.

Quando falha a homeostase começa o predomínio da entropia, que pode chegar ao que denomina estado de pendulação do sistema.

Colocando isso em termos de uma pessoa que tem estresse, o organismo e o psiquismo dessa pessoa passariam a ter reações adaptativas cada vez mais em desacordo com a intensidade do estímulo.

Juntando esses dois conceitos com o que Mello Filho coloca em seu livro, podemos entender que um estado crônico de estresse pode levar um indivíduo a um estado de desorganização física e psíquica, e talvez até a morte.

Segundo Esdras, no curso por ele ministrado no 2º semestre de 1998, no curso de Psicologia Clínica do Pós-Graduação da PUC-SP, a teoria do estresse é a melhor que explica a relação corpo-mente, na atualidade.

Enquanto essa teoria era apenas neuro-endócrina, ela só explicava o problema físico. Com o complemento dado por Lazarus, psicólogo estudioso do assunto, podemos entender a relação neuro-endócrino psicológica e é uma teoria que supera a dicotomia corpo-mente. No estresse há uma reação orgânica (às vezes subliminar) que pode ser sentida. Para ele a vinda do estresse sempre ocorre em nível subliminar. A reação de stress é o comportamento manifestado.

O stress está na base de todas as psicopatologias, ele desencadeia reações neuro-endócrinas, alterações em todo os sistemas do organismo. Para ele a stress está relacionado ao comportamento que é resultado de uma ação "extraordinária do organismo". A sobrevivência vegetativa não implica em stress, mas a consciente sim. O stress é uma reação buscando a sobrevivência. Toda a informação que chega ao Sistema Límbico (se é relevante ou não, perigosa ou não, agradável ou não e assim por diante). Se ela for avaliada como perigosa, entra o instinto de sobrevivência. Dessa forma, no momento de stress, todo o organismo é acionado.

Foi por meio de minha experiência clínica que comecei a me interessar pela eclosão da primeira crise de pânico. Vários clientes relatavam que antes de surgir a primeira crise, estavam vivendo situações difíceis de vida. Só para falar de duas clientes, uma tinha sido demitida de um emprego de 10 anos e a outra havia se separado do marido por ele ter encontrado outra mulher há alguns anos, mas não se conformava com a perda; sentia-se sobrecarregada com a educação dos filhos e não se sentia bem no seu trabalho.

Creio que nos caberia perguntar, por que as pessoas reagem de forma diferente, frente aos problemas da vida? Por que algumas pessoas, após um período estressante, desenvolvem uma úlcera, outros problemas de pele, outros, problemas respiratórios como asma, bronquite e tantas outras doenças consideradas psicossomáticas? Será que o desenvolver a síndrome do pânico, também não seria conseqüência de um médio ou longo período de estresse?

Creio que aqui temos que encarar a genética de cada um, os aspectos de personalidade, as neuroses, o meio sócio-cultural em que cada indivíduo está inserido.

Pela teoria do estresse não é difícil entendermos que uma pessoa que já sofra de depressão ou neurose fóbica ou de angústia, possa desenvolver a síndrome do pânico, depois de entrar na fase de exaustão em conseqüência de estresse.

Por isso, em nosso trabalho, tentamos verificar se os nossos sujeitos estavam vivendo ou viveram antes alguma fase de estresse que pudesse nos sugerir que a PAG foi desencadeada neles por esse motivo.

Se isso é possível, quanto tempo antes da eclosão da primeira crise a PAG poderia estar aparecendo? Esta pergunta não será respondida nessa pesquisa, mas nos sugere prosseguimento de outras pesquisas abordando esse interesse.

METODOLOGIA
Foi elaborado e aplicado um questionário para ser usado com os nossos sujeitos.

O questionário é o seguinte:

Data: ____/ ____/____

Iniciais do nome e sobrenome:____________________________________

Data de nascimento: ____/ ____/____

Estado civil:___________________________________________________

Escolaridade:__________________________________________________

Profissão:_____________________________________________________

Nota 1: As informações contidas neste questionário tem caráter estritamente confidencial.

Nota 2: As respostas que exigirem uma redação, favor respondê-las numerando-as no espaço da folha pautada em anexo. (Ver final do questionário).

1. Qual o motivo que o levou a procurar um psicólogo?

2. Na época em que antecedeu a primeira crise notou alguma diferença na sua saúde, na sua vida pessoal, familiar, e/ou profissional?

Assinale com um "X" os sintomas presentes nessa época e com dois "X" os que causaram maior sofrimento:

angústia ou medo excessivo diante de fatores conhecidos e/ou desconhecidos ( )
Uso de tranquilizantes, cigarros, drogas ou bebidas alcoólicas para aliviar a tensão ( )
períodos de tristeza em relação a alguns aspectos de sua vida ( )
nervosismo ( )
irritação ( )
fadiga ( )
raiva ( )
dor de estômago ( )
tinha dores de cabeça freqüentes, dor nos músculos nos ombros e pescoço? ( )
"vida corrida", tentando realizar o máximo possível, no menor tempo ( )
morte do esposo(a) e/ou parente próximo ( )
separação marital / casamento ( )
doença ou acidente pessoal ( )
perda do emprego ( )
aposentadoria ( )
dificuldades sexuais ( )

3. Em que ano você teve a primeira crise?

4. Depois da primeira crise você teve que fazer algumas mudanças na sua vida?

5. Assinale com um "X" os sintomas que aparecem nas suas crises e com dois "X" os que causam maior sofrimento:
dor no peito ( )
tonturas ( )
palpitação ( )
sudorese ( )
tremor ( )
dificuldade de respirar ( )
desmaio ( )
perda de sensibilidade nas mãos e pés ( )
angústia ( )
náuseas ( )
mal estar abdominal ( )
medo de morrer ( )
ondas de calor ou calafrio ( )
medo de ficar louco ( )
medo da rua, de ônibus ( )
medo de perder o controle ( )
medo de bancos, supermercados ( )

6. Você seguiu ou segue orientação médica?

7. Que remédios foram indicados pelo médico? Quais você tomou, em que dosagem e por quanto tempo?

8. Você está em tratamento psicoterápico? Há quanto tempo?

9. Você tem sentido alguma melhora em seu sofrimento? Em caso afirmativo, à que você pode atribuir essa melhora?

10. Você tem problemas de relacionamento familiar? Em caso afirmativo descreva com mais detalhes.

11. Você tem problemas de relacionamento profissional? Em caso afirmativo descreva com mais detalhes.

12. Você tem problemas de relacionamento com amigos e conhecidos? Em caso afirmativo descreva com mais detalhes.

13. Você tem ou já teve problema de saúde física que considera importante relatar?

14. Há algum fato na sua vida que você considera desencadeante da primeira crise? Em caso afirmativo descreva o que aconteceu.

15. Você pode usar o espaço abaixo para relatar fatos ou acontecimentos que você considere importantes.


Com este questionário tentamos:
1. pesquisar com mais detalhes os sintomas que sugerissem estar o nosso sujeito em uma crise de pânico;

2. pesquisar com mais precisão se o portador da crise estava vivendo uma situação de estresse, na época do aparecimento da primeira crise.

Sujeitos:
Os sujeitos de nossa pesquisa foram os clientes de nosso consultório particular, clientes da Clínica Psicológica "Ana Maria Poppovic" da PUC-SP e outros contatados pela Internet; todos moradores na cidade de São Paulo. A nossa faixa etária variou de 17 a 38 anos e todos foram informados sobre a pesquisa e se prontificaram a ser voluntários.

A nossa amostra constou de 12 sujeitos de ambos os sexos. O critério de seleção foi o de que fossem portadores da Síndrome do Pânico, diagnosticados por médicos e que tivessem procurado o psicólogo para tratamento, não só pela PAG, mas também por outros problemas psicológicos.

Análise Qualitativa:

Vários motivos diferentes levaram os sujeitos desta amostra a procurarem um psicólogo. Cinco sujeitos nos apontam que procuraram este tipo de tratamento por causa da Síndrome do Pânico; outros seis sujeitos relatam que tal busca se deu por problemas psicológicos, tais como: depressão, fobia, medo, problemas sexuais, insônia, etc. Um sujeito teve uma indicação do endocrinologista para um tratamento psicoterápico, já que seus exames não indicavam nada.

Em relação à idade na qual os nossos sujeitos tiveram suas primeiras crises, é possível dizer que ela varia entre 17 e 38 anos.

As respostas dos sujeitos mostram que as mudanças em suas vidas depois das primeiras crises foram vivenciadas de modos diferentes, enquanto metade deles dizem que não houve mudanças após este acontecimento, a outra metade relata que as mudanças foram significativas, já que alteraram suas vidas cotidianas, normalmente por causa do medo que sentiam.

Quanto ao aspecto da orientação médica, os sujeitos, ao serem perguntados se seguiram ou seguem tal orientação, foram unânimes, já que todos responderam que sim. Isso nos indica que esta amostra foi, toda ela, diagnosticada por médicos como portadores de Síndrome do Pânico. Todos os sujeitos relatam que tomam medicamentos apropriados para o alívio de suas crises, além de antidepressivos. Os remédios mais citados são: Anafranil, Trofanil, Aropax, Lexotan, Valium e Prozac.

Dez sujeitos dizem que fazem terapia atualmente, sendo que apenas um sujeito faz há mais de quatro anos, e os outros nove tem uma média de tratamento psicoterápico que varia de um a três anos. Entretanto, dois sujeitos buscam atualmente ajuda psicológica esporádica, ou seja, apenas durante as crises de Síndrome do Pânico, porque já passaram pelo processo e hoje se sentem melhores.

Onze sujeitos relatam que tiveram uma melhora significativa em seu sofrimento, porém, atribuem essa melhora a aspectos diversos, cinco deles mencionam a associação entre o tratamento psicoterápico e a medicação como responsável pela redução dos sintomas, um sujeito enfatiza apenas os medicamentos, enquanto um outro sujeito fala apenas da terapia. Três sujeitos relacionam suas melhoras a causas diferentes das apontadas acima, como por exemplo: conhecimento das crises, auto-conhecimento, força de vontade, relação social com amigos, apoio da família. É importante notar que um sujeito não atribuiu sua melhora a nenhuma causa específica.

Nove sujeitos apontam que não possuem problemas de relacionamento familiar. Já os que relatam esse tipo de conflito, o fazem de maneiras diversas, citando problemas com a mãe, sogra, namorada. 
Quanto a problemas de relacionamento profissional, nove sujeitos relatam que não possuem esse tipo de dificuldade. Em dois casos, os sujeitos apontam que já tiveram problemas desta ordem anteriormente, mas que já foram superados. Apenas um sujeito do sexo feminino declara ter problemas profissionais, pois foi afastada de um cargo de confiança, e segundo ela, foi muito humilhada. 

Dez sujeitos declaram que não possuem problemas com amigos e conhecidos; porém, dois sujeitos responderam que têm tais problemas, sendo que para um deles isso se dá pelo fato de que não consegue ter o controle necessário de suas próprias emoções. Outro sujeito relata ter dificuldade em expressar suas emoções.

Quanto à existência de problemas de saúde física, atuais ou antigos, considerados importantes pelos sujeitos, sete deles apontam que não se defrontaram com algum tipo de doença; porém, cinco sujeitos citam doenças variadas, dentre elas estão: dores lombares, paralisia de pernas, reumatismo, infecção urinária, hipertensão, problemas com vesícula, úlcera, duodenite aguda, hérnia de hiato, toxoplasmose, pleurite, Doença de Chron e nevralgia.

Quando perguntados se houve algum fator desencadeante da primeira crise, dois sujeitos responderam que não. Porém, os demais sujeitos dão explicações completamente diferentes para o surgimento da crise: preocupação com o trabalho, separação marital, problemas afetivos, mudança de residência, aborto espontâneo, o fato de assumir responsabilidades, cirurgia, infância problemática, tensão e rotina; outro sujeito assinalou o fator hereditariedade como sendo o causador da crise (seu pai e seu avô eram portadores da síndrome, segundo ela).

A última questão proposta no questionário: "Relate fatos ou acontecimentos que você considere importantes" trazem informações muito genéricas que ajudaram muito no entendimento das questões anteriores.

RESULTADOS
Resumindo os dados obtidos com a pesquisa, vimos o seguinte: Quanto à análise estatística, o que ficou claro é que todos os sujeitos da amostra apresentaram pelo menos dois dos sintomas abaixo relacionados de forma significativa, antes da eclosão da primeira crise de pânico:

  • angústia ou medo excessivo diante dos fatores conhecidos e/ou desconhecidos;
  • nervosismo;
  • períodos de tristeza em relação a alguns aspectos de sua vida.

Esses sintomas podem ser considerados patognomônicos de nossa amostra. Todos esses três itens se referem a sintomas psíquicos.

Na análise qualitativa encontramos o seguinte:
  • Todos os sujeitos eram portadores da PAG e procuraram psicoterapia por problemas de ordem psicológica (5 deles pela Síndrome do Pânico, por problemas psicológicos variados e um que por não ter sido encontrado nenhum problema físico, foi sugerido pelo médico endocrinologista que acompanhava o caso, que o problema era de ordem emocional e que fosse procurar um psicólogo).
  • Também verificamos que o aparecimento da primeira crise se dá em várias faixas etárias, como já foi levantado pela maioria dos pesquisadores.
  • Todos os nossos sujeitos tomavam medicamentos anti-depressivos.
  • A associação de tratamento medicamentoso com anti-depressivos e psicoterapia, na nossa amostra, foi o fator mais determinante da melhora do quadro.
  • Além disso, fatores como: conhecimento da crise, auto-conhecimento, relação social com outros portadores da PAG e ajuda da família também contribuíram na superação das crises.
  • Os nossos sujeitos estavam passando por problemas emocionais, como os três sintomas já descritos acima sugerem. Isso pode estar indicando que os mesmos passavam por uma situação estressora. Também é preciso salientar que seria necessário um estudo mais aprofundado para verificar se esses sujeitos não são portadores de distúrbios como depressão, medo e ansiedade, como parte de sua personalidade. Ou seja, podem ser portadores de neurose depressiva, fóbica ou ansiosa.

CONCLUSÕES
Chegando ao final do nosso trabalho, gostaríamos de dizer, que embora os resultados deste estudo não possam ser generalizados para todos os portadores da Síndrome do Pânico, em virtude do número reduzido de sujeitos e o uso de um único instrumento - o questionário -, acreditamos que o mesmo trouxe dados interessantes que poderão contribuir para o melhor conhecimento dos portadores dessa síndrome e da eclosão da primeira crise.

Tendo agora uma visão mais global dos dados encontrados, vamos confrontá-los com o objetivo proposto por nós, no início do trabalho.
O nosso objetivo era verificar se o grupo de portadores, por nós estudado, estava passando por uma situação de estresse, por ocasião da eclosão da primeira crise de pânico.

Não é possível afirmar que nossos sujeitos estivessem passando por uma situação de estresse. Isso porque não aplicamos um questionário já padronizado e validado para esse fim. Mas podemos dizer que todos estavam tendo sintomas que poderiam estar sugerindo situações estressoras. A angústia, o medo e a depressão podem ter outras origens que não o estresse e foram esses três sintomas que apareceram de forma significativa na nossa amostra.

Embora não possamos fazer generalizações dos resultados de nosso estudo a outras populações da síndrome, acreditamos que ele sugere algumas questões para a realização de novas pesquisas sobre o assunto.

Uma amostra maior, um questionário já validado e padronizado, teria sido mais efetivo para a resposta a nossa pergunta.

Se ficar estabelecido que o estresse está na raiz da eclosão da primeira crise, podemos perguntar, há quanto tempo o sujeito está vivendo uma fase estressora? A eclosão poderia ocorrer depois de algum tempo depois dessa fase? Quanto tempo; dias, meses, anos? Também seria interessante pesquisar melhor as características de personalidade daqueles que desenvolvem a Síndrome do Pânico? Será que o aumento do aparecimento de portadores da PAG estaria ligado com o aumento da violência, da "feiura" da nossa civilização moderna, onde somos bombardeados por notícias de assassinatos, estrupos, roubo, acidentes, guerras, entre tantas outras ocorrências, principalmente nos grandes centros urbanos?

Nota:
[1] Psicóloga, mestre e doutorada em Psicologia Clínica pale PUC-SP, Professora Assistente-Mestre da PUC-SP e chefe da Clínica Psicológica "Ana Maria Poppoovic" da PUC-SP.

Bibliografia:
BOTELHO, C. A. Síndrome do pânico e hipoglicemia. Typus Editora, São Paulo 1996
BULL, N. The attitude theory of emotion. Nervous and mental disease monographs, New York, 1965
CAETANO, D. Como enfrentar o pânico. Editora da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Ícone, Campinas, A. P. 1987
FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Ed. Nova Fronteira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, 1986
GENTIL, V. e LOTUFO NETO, F. (org.). Pânico, fobias e obsessões, Edusp, 2a. Edição, São Paulo, 1996
KELLER, G. Síndrome do pânico, Globo, 5a. Edição, São Paulo, 1995
LAZARUS, R. S. e outros, Estrés y processos cognitivos. Ed. Martinez - Roca, Barcelona, 1986
MELLO FILHO, J. et al. Psicossomática hoje. Ed. Artes Médicas, Porto Alegre, 1992
RAMOS, D. A psique do corpo. Summus Editorial, São Paulo, 1994
RANGÉ, B. Psicoterapia comportamental e cognitiva de transtornos Psiquiátricos. Editorial Psy, Campinas, 1995
ROSS, J. Vencendo o medo. Ágora, São Paulo, 1995
SANTOS, O. A. Ninguém morre de trabalhar. O mito do estresse. Ed. Texto Novo, São Paulo, 1994
SELYE, H. Stress without distress, 1977
________. The stress of life. Hill Book Company, Nova York, Mac Graw 1956.
SHERBOURNE, C. D. et al. The american journal of psychiatry. vol. 153, no 2, february 1996, pp. 213 - 218.
POLLACK, M.H. The american journal of psychiatry. vol. 153, no 3, march 1996, pp. 376 
-378.



Nenhum comentário:

Postar um comentário